sábado, junho 25, 2016

FRELIMO e RENAMO trocam acusações

O partido no poder, em Moçambique, a FRELIMO, através da sua deputada Lucília Hama, defendeu ser urgente que a Procuradoria-Geral da República tome medidas, com vista à responsabilização da RENAMO e do seu líder, Afonso Dhlakama, pelos alegados ataques no país. “Com o seu atual comportamento, violação da Constituição e da Lei dos Partidos e de cometimento do assassinato de pessoas, destruição de bens públicos e privados, pensamos haver condições para responsabilizar criminalmente a RENAMO”, disse Hama.
Em resposta, o deputado da RENAMO, António Muchanga , afirmou que, se há que responsabilizar alguma formação política, não deve ser apenas o seu partido.
Muchanga acusou a FRELIMO de ter tentado assassinar o líder da RENAMO, Afonso Dlakhama, em setembro do ano passado e acrescentou que a atual situação do país resulta de uma estratégia falhada e errada do partido no poder. “Continuam agora depois dos dois Presidentes mandarem as Forças Armadas atacar a RENAMO para obrigar esse partido também a disparar onde vocês vivem, porque sabem que vocês têm abrigos onde vão se esconder”, sublinhou o porta-vez da RENAMO.

Fonte: Deutsche Welle – 22.06.2016)

sexta-feira, junho 24, 2016

FMI defende auditoria internacional e independente às dívidas avalizadas pelo Estado moçambicano

Missão do FMI concluiu a sua visita a Moçambique e considerou ser necessária uma auditoria internacional e independente às dívidas avalizadas pelo Estado a favor de três empresas.
Uma missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se encontrava em Moçambique para avaliar o impacto das chamadas dívidas escondidas, concluiu esta sexta feira (24.06.) a sua visita e considerou ser necessária uma auditoria internacional e independente às dívidas avalizadas pelo Estado a favor de três empresas em 2013 e 2014 que não foram, na altura, reveladas.
A missão do FMI e as autoridades moçambicanas acordaram que a atual situação da dívida exige um pacote urgente e decisivo de medidas de política para evitar uma deterioração do desempenho da economia do país.
Um comunicado de imprensa do FMI, indica que as duas partes realizaram bons progressos na identificação de um pacote de medidas com vista ao reforço da transparência, melhoria da governação e garantia da responsabilização e, para tanto quanto possível, evitar o recurso a dívida não revelada. Ler mais (Deutsche Welle 24.06.2016)

Procuradora-Geral de Moçambique diz no parlamento que não há indícios contra ex-Presidente Guebuza

A Procuradora-Geral da República apelou à contenção e ao recurso a meios pacíficos para o alcance de qualquer objetivo. A Informação Anual sobre o estado da justiça em Moçambique foi apresentada no parlamento.
A Procuradora-Geral da República de Moçambique, Beatriz Buchili, afirmou que não foi encontrada matéria para abrir um processo-crime contra o antigo Presidente moçambicano Armando Guebuza num alegado caso de corrupção envolvendo a petrolífera italiana ENI.
"As notícias (sobre suspeitas de corrupção) davam conta que a Procuradoria de Milão, na República da Itália, estaria a investigar o caso. Na sequência, desencadeamos mecanismos para recolha de informação junto da congénere italiana, tendo recebido a informação de que não existia nenhum processo que envolvia aquele dirigente. A averiguação foi arquivada por falta de matéria", afirmou Buchili na Assembleia da República de Moçambique, durante a leitura da Informação Anual do Procurador-Geral da República.


Procuradoria-Geral diz não ter indícios de corrupção envolvendo ex-Presidente

Segundo Buchili, a Procuradoria-Geral da República decidiu abrir um processo de averiguação, na sequência de notícias veiculadas pelos meios de comunicação social nacionais e estrangeiros sobre suspeita de corrupção na empresa petrolífera italiana ENI, em que estaria envolvido o antigo chefe de Estado moçambicano Armando Guebuza. Ler mais (Deutsche Welle – 22.06.2016)

Analistas "questionam" sucesso das negociações entre o FMI e Moçambique

O primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, reuniu-se ao princípio desta noite, em Maputo, com uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se encontra em Moçambique para avaliar as consequências macro-económicas das chamadas dívidas escondidas, mas não está claro se será desta vez que vai ser reatada a assistência financeira ao país.
Ao nível do Governo moçambicano, a vinda desta missão era aguardada com enorme expectativa porque se trata de tentar resolver a crise do endividamento, resultante sobretudo de dívidas ocultadas nas contas públicas.

Moçambique pressionado a investigar alegações de violação de direitos humanos

País assumiu anterior compromisso, mas não cumpriu.
Moçambique deverá investigar de imediato todas as alegações de violação de direitos humanos por agentes do Estado, pediu, hoje, a Amnistia Internacional (AI).
Tais investigações, diz a organização, deverão ser completas e imparciais.
A AI realça que procedendo desse modo, Moçambique estará alinhado ao compromisso assumido, hoje, em Genebra, no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Moçambique, tal como outros membros das Nações Unidas, assumiu o compromisso, no término da Revisão Periódica Universal, de garantir a investigação imediata de alegações de detenções arbitrárias, execuções extrajudiciais e outras violações de direitos humanos por agentes do Estado.
Apesar de ter assumido anteriormente o mesmo compromisso, a AI diz que Moçambique não cumpriu e as violações continuam.

Fonte: Voz da América – 23.06.2016

Refugiados em campo de Moçambique denunciam fome e corrupção

Mais de 10 mil refugiados encontram-se no campo de Maratane, na província de Nampula.
O Comité Representativo dos Refugiados no campo de Maratane, na província moçambicana de Nampula, denuncia o enriquecimento ilícito de alguns responsáveis à custa do apoio destinado aos deslocados, na sua maioria provenientes da República Democrática do Congo, Ruanda, Burundi e Somália. 
Apesar de não apontarem nomes, os refugiados de Maratane dizem que, por esse motivo, eles vivem na pobreza extrema.
E a título de exemplo, referem que a educação e o sistema sanitário são deficientes.
Perto de 10 mil refugiados vivem em Maratane, o maior campo de refugiados do país, que possui apenas uma unidade hospitalar em más condições, sem medicamentos e com pessoal de saúde sem qualificação.
Cerca de 100 pacientes são atendidos por dia, sendo as principais doenças a malária, o VIH/Sida, a mal nutrição e os problemas respiratórios.
Por seu lado, a educação das crianças é garantida apenas por uma escola primária, o que significa que para continuar os estudos, após esse nível, os alunos têm de ir à capital, Nampula que está a sensivelmente 30 quilómetros.

sexta-feira, junho 17, 2016

Deixe-nos mostrar a nossa indignação!

As dívidas estão aí, infelizmente. Contraídas de forma ilegal e pornográfica por uma corja de indivíduos que, sem escrúpulos, fingem que o assunto não lhes diz respeito. O sofrido povo moçambicano, como sempre, será obrigado a pagar por algo que não faz a mínima ideia. Não há informação sobre o destino certo dado ao empréstimo. A única certeza é de que o dinheiro não entrou nos cofres do Estado. A bilionária dívida está aí. E os moçambicanos continuam a morrer de fome, e de doenças curáveis. Os moçambicanos continuam a debater-se com a falta de escolas condignas, estradas e água potável.

A triste situação que, presentemente, o país travessa é bastante revoltante. Diante da tamanha falcatrua habilmente perpetrada pelo Governo da Frelimo, não nos resta mais nada, como um povo, senão mostra a nossa indignação colectiva. É preciso fazermo-nos às ruas, para demonstrarmos a nossa indignação contra toda essa impunidade que cobre as instituições públicas e/ou de Estado. Precisamos de mostrar a nossa revolta contra este Governo de mafiosos.

Consultora Teneo: Moçambique "não exclui por completo" entrar em incumprimento

A consultora Teneo considera que o Governo de Moçambique "não exclui por completo" assumir um incumprimento soberano, podendo procurar argumentos legais para justificar não pagar ou reestruturar os empréstimos de empresas públicas garantidos pelo Estado.
As declarações do primeiro-ministro moçambicano, Agostinho do Rosário, sobre a necessidade de equilibrar o pagamento das dívidas com as prioridades da despesa "sugere que a opção de incumprimento não está completamente excluída", disse o vice-presidente da consultora, numa nota de análise citada pela agência de informação financeira Bloomberg.
"Para já, no entanto, as implicações negativas desse resultado vão continuar a militar contra a tomada de uma decisão tão impetuosa pelo Governo", disse Manji Cheto.
"Dar prioridade ao pagamento das dívidas, em prejuízo do financiamento de projetos prioritários constantes do Programa Quinquenal do Governo, tais como agricultura, educação, saúde, água seria não ir ao encontro dos compromissos assumidos com a população moçambicana", afirmou Agostinho do Rosário, no encerramento da sessão extraordinária do parlamento para debate das chamadas dívidas escondidas, na semana passada.

Sociedade civil moçambicana manifesta-se “Pelo direito à esperança”

Justificação da dívida pública revela arrogância do governo, diz Nzira de Deus, do Fórum Mulher.

Mais de trinta organizações não-governamentais moçambicanas realizam este sábado, 18 de Junho, uma manifestação, em Maputo, para exigir do governo uma melhor explicação sobre a situação económica e política do país, que agudiza o sofrimento da população.

A manifestação denomina-se “Pelo direito à esperança”.
“Sentimos que estão a tirar o direito de participar na vida pública, e os últimos acontecimentos em relação à dívida pública mostram uma certa arrogância do governo em dar satisfação aos cidadãos”, diz Nzira de Deus, diretora-executiva do Fórum Mulher, que faz parte do movimento.
Por outro lado, diz a activista dos direitos humanos, a tensão política na zona centro está a atingir níveis alarmantes, e é necessária uma resposta.

Analistas moçambicanos defendem debate abrangente sobre descentralizaçação

Presidente da Frelimo e da República criou um grupo de estudo apenas do partido no poder.

Analistas dizem que o debate sobre a descentralização em Moçambique, anunciado pela Frelimo, deve ser abrangente, de modo a que possa permitir uma acomodação política entre os diferentes partidos políticos, na linha das exigências da Renamo, relativamente à nomeação de governadores provinciais.
A Frelimo criou um grupo de trabalho para se ocupar de questões relativas à sustentabilidade da descentralização do poder, afirmando tratar-se de um processo que visa o reforço da democracia no país.
Ao anunciar o facto, o Presidente da Frelimo e também da República, Filipe Nyusi, afirmou que a equipa vai discutir formas de tornar o poder das populações mais interventivo e mais decisivo em prol do seu bem-estar.

quinta-feira, junho 16, 2016

FMI inicia hoje missão a Moçambique para avaliar impactos de empréstimos escondidos

Uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) chega hoje a Maputo para dar início à missão de avaliação dos impactos dos empréstimos escondidos de 1,4 mil milhões de dólares (1,25 mil milhões de euros).
A equipa do FMI estará em Moçambique até ao próximo dia 24, confirmou o porta-voz da instituição, Gerry Rice, em conferência de imprensa na sede do Fundo em Washington.
"A equipa do Fundo estará em Maputo para continuar o processo de verificação dos fatos relacionados com os empréstimos escondidos e analisar a situação macroeconómica em que se encontra o país", afirmou Gerry Rice no que chamou en inglês de 'fact finding process'.
"A missão, neste momento, não terá como objetivo discutir ajuda financeira. Faremos primeiro uma avaliação para esclarecer os fatos", destacou.

Jurista critica notificação "ilegal" de jornalistas moçambicanos

Jurista moçambicano diz que notificação compulsiva dos responsáveis do semanário Zambeze para prestar depoimentos sobre notícias não respeitou procedimentos legais. Transformou-se a notificação "num mandado de captura".

Esta semana, a polícia foi duas vezes à redação do semanário Zambeze, em Maputo - foi na segunda-feira (13.06), mas o diretor do jornal não estava. E foi na terça-feira, dia em que notificou João Chamusse para comparecer no departamento de investigação criminal.

João Chamusse: "Disseram que o melhor era ir à PIC imediatamente"

"Apareceram entre as 9 e as 10 horas [da manhã] com notificações, que fomos obrigados a assinar. Quando perguntámos se era possível alterar a data, porque era o dia de fecho do jornal, os homens disseram que o melhor era ir à PIC [Polícia de Investigação Criminal] imediatamente. Aquilo não nos dava jeito e optámos pelas 12 horas. Eles disseram-nos 'tudo bem, mas vamos ficar aí em baixo à vossa espera'", conta Chamusse. "Eles estavam à civil. Eram cerca de oito. Vinham também em carros particulares.

Prazo de cinco dias não foi respeitado

"A notificação não é de cumprimento imediato", diz o jurista Gilberto Correia. "Normalmente, há um prazo de cinco dias que deve mediar entre a receção da notificação e essa comparência. Admito que possa haver alguma urgência, mas esse prazo nunca pode ser reduzido ao ponto de ser imediatamente."  Ler mais (Deutshe Welle)

ONG da África Austral acusa polícia moçambicana de intimidação a jornalistas

O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA), uma ONG de defesa da liberdade de imprensa, acusou hoje a polícia moçambicana de intimidação em interrogatórios a jornalistas sobre notícias relacionadas com a crise militar no país.
"As notificações por parte das autoridades policiais a jornalistas para prestarem declarações relacionadas com matérias por si publicadas configuram atos de intimidação e ameaças à liberdade de imprensa e de expressão", diz o escritório moçambicano do MISA, em comunicado enviado hoje à Lusa.
A nota de imprensa diz que a Polícia de Investigação Criminal (PIC) notificou na terça-feira o diretor do semanário Zambeze, João Chamusse, e o editor da mesma publicação, Egídio Plácido, para interrogatórios, no mesmo dia e na sede da entidade em Maputo, sobre matérias feitas pelo correspondente do jornal na Beira, centro do país, relacionadas com o conflito armado na região.

Ponte da Catembe coloca mais de 100 familias na desgraça em Maputo

Moçambique está a erguer a maior ponte do país, ligando a cidade de Maputo e Catembe, mas as familias desalojadas para dar lugar ao empreendimento têm outro nome: A ponte da desgraça.

"Praticamente fomos esquecidos. Vieram nos deixar aqui sem nenhum recurso", diz Margarida Zeca, uma das pessoas forçadas a mudar de residência por causa da construção da ponte sobre a Baía de maputo.

Tal como diz outro afectado, Titos Macia, as autoridades haviam prometido "uma zona que tem tudo...escolas, hospitais, e já limpo, mas não conseguiram fazer isso".

Apesar das promessas, mais de 100 famílias foram transferidas do bairro da Malanga para Mahoche, a 100 quilómetros. As obras da ponte financiada pelo governo chinês estão em curso.

quarta-feira, junho 15, 2016

Consultor: "Nível de dívida pública é determinante para o crescimento de África"

O colapso nos preços do petróleo afetou significativamente as nações africanas, mas o montante de dívida pública será o factor diferenciador para retomar o crescimento, considera o analista da consultora IHS que segue a região.

"Com o passar do tempo, o choque dos preços das matérias-primas vai ser acomodado pelo sistema, e serão outros assuntos que vão ter importância", defende o analista sénior para a África subsaariana, Mark Bohlund.

Numa análise publicada pela agência de informação financeira Bloomberg, o analista salienta que "uma tendência menos notada na África subsaariana é o aumento do endividamento público", que diz ser um dos fatores que pode fazer com que a narrativa celebrizada na expressão 'África em Ascensão' possa mudar para 'África em Inclinação'.

"As nações da África oriental, das quais apenas o Sudão do Sul é um exportador de petróleo e gás, deverão acelerar o crescimento nos próximos anos; a Etiópia, o Quénia e a Tanzânia também investiram na geração de energia interna e melhores infraestruturas de transportes, e ambas deverão dar dividendos; isto pode ver a narrativa 'Africa Rising' evoluir para uma 'África Inclinada', uma vez que os exportadores de petróleo no centro, oeste e sul de África se debatem para encontrar novas fontes de crescimento", escreve o analista.

Alice Mabota diz que sofre ameaça para abortar marcha do próximo sábado

Dez organizações da Sociedade Civil assinaram carta de comunicação oficial da manifestação pacífica

Organizações da Sociedade Civil convocam uma manifestação pacífica para próximo sábado, na cidade de Maputo. No entanto, Alice Mabota, uma das organizadoras do evento, diz que está a sofrer pressão e ameaça para que a marcha não se realize. Por isso, a Presidente da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique apela para que os celulares dos participantes estejam permanentemente activos para filmarem os organizadores da marcha, no sábado. E não fica por aí. Mabota revela. “O mundo todo está preparado. Depois de receber ameaças – tenho mecanismos de acionar o alerta fora –, informei ao mundo para que tivesse conhecimento que fui ameaçada”, garantiu Alice Mabota.

Ao todo, são dez organizações da Sociedade Civil que assinaram carta de comunicação oficial da manifestação pacífica para sábado, mas o número envolvido é bem mais elevado.

Pressão internacional é importante para a justiça em Moçambique, diz o director-executivo da Fundação Masc

Mas só o tempo dirá se o governo vai tomar outra postura, sublinha Pereira

O director executivo da Fundação Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (MASC), João Pereira, elogia a pressão das Nações Unidas para a justiça em Moçambique, mas sublinha que a política africana não segue necessariamente os parâmetros internacionais.

Zeid Al Hussein, Alto comissário das Nações Unidas para o Direitos Humanos, pediu, ontem, ao governo de Moçambique para o fazer o seu melhor para levar os autores das execuções sumárias, promotores da corrupção e violência à justiça.

Al Hussein, que discursava na 32ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Suíça, disse que em Moçambique registam-se maus tratos aos defensores dos direitos humanos e jornalistas.

Para Pereira, só o tempo dirá se a pressão internacional fará o governo assumir outra postura.

“Pode ser um dos mecanismos, mas nós temos que compreender que em África temos exemplos muito concretos de que essas pressões não surtiram efeito,” diz Pereira.

Moçambique: populares preocupados com raptos e desaparecimentos em Vunduzi

Há três semanas, no povoado de Mucodza, dois idosos com mais de 70 anos foram forçados a guiar as tropas governamentais às bases da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) ao longo da serra e indicar quem eram os guerrilheiros do principal partido da oposição naquele povoado.

Depois de dois dias sem terem encontrado as supostas bases da RENAMO, os idosos foram sujeitos a tortura e mantidos em cativeiro até que revelassem a localização das bases. Um deles acabaria por ser baleado no braço direito, ao tentar fugir. As suas casas foram incendiadas. Ler mais (Deutsche Welle, 14.06.2016)

Estupefacto

Em Julho de 2010, o jornalista João Chamusse escreve um artigo de extrema importância e com detalhes sobre a corrupção no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). Era mesmo um artigo da sua autoria. Não me lembro que a PIC tenha lhe notificado para ajudar o Gabinete Central de Combate a Corrupção na sua investigação, senão um simples filme para que com o tempo tudo aquilo esfumasse e esfumou mesmo.
Fico estupefacto quando me apercebo que o mesmo João Chamusse foi intimado e buscado por um aparato de agentes da polícia por uma notícia que escreveu no seu jornal, o Zambeze, uma notícia veiculada pela Nehanda Radio como pode-se ver  aqui. Qual é o objectivo real da intimação dos jornalistas João Chamusse e Egídio Plácido?

Viva a Imprensa Livre!

terça-feira, junho 14, 2016

Jornal Zambeze presta declarações à PIC sobre ataques armados a militares zimbaweanos

A polícia convocou e ouviu, hoje, o Jornal Zambeze numa sessão com o propósito de colher informações sobre uma notícia publicada naquele semanário, que falava de um ataque de homens armados, supostamente da Renamo, a militares do Zimbabwe. De acordo com os intimados, João Chamusse e Egídio Plácido, a corporação queria mais esclarecimentos sobre as fontes da notícia.
Publicada quinta-feira passada, a notícia refere que militares do Zimbabwe teriam sido abatidos em Gorongosa por. Citamos: “Um número ainda não especificado de soldados zimbabwenos que se encontravam em plena missão combativa, contra os homens armados da Renamo, foram abatidos na semana finda em Santungira, no posto administrativo de Vandúzi, distrito de Gorongosa, na província central de Sofala, segundo avança a imprensa do Zimbabwe”. A polícia queria saber das fontes usadas para a produção desta notícia e de outras publicadas noutras edições, falando de ataques das Forças de Defesa e Segurança às populações nas zonas de conflito no Centro do país.
A notificação ao Zambeze para prestar esclarecimentos sobre a notícia intimidou o director do jornal e o chefe de Redacção, que preferiram caminhar até a direcção da PIC a nível da Cidade e não usar a viatura da corporação.
A audição aos dirigentes do jornal semanário Zambeze durou cerca de três horas e a polícia ainda não se pronunciou sobre o caso.
Fonte: O País – 14.06.2016

Matar Dhlakama seria um erro

(historiador Michel Cahen)

Acho que a solução angolana, na qual a morte de Jonas Savimbi significou a paz para o país não se aplica à situação de Moçambique. Apesar de Angola ser também geograficamente e etnicamente heterogênea, a riqueza da elite política angolana submete literalmente todas as pessoas. Mesmo com o advento da exploração de imensos recursos naturais em Moçambique, a elite política nunca terá dinheiro suficiente para subjugar a todos. De facto, há em Luanda uma piada que diz que “para ficares rico rapidamente, cria um partido político da oposição, que possa mais tarde ser comprado pelo regime”. É difícil ver essa máxima a aplicar-se ao caso moçambicano.

Hegemonia e homogeneidade são duas coisas diferentes. Num país tão heterogéneo como Moçambique, em termos geográficos e históricos, a hegemonia é menos provável e é indesejável. Apesar de que poderia trazer paz, aparentemente, seria o que chamaria “paz armada” e não uma democracia.

Tentaram e ainda tentam fazer isso. Isso seria mau. O que a maioria das pessoas ainda não entendeu é que dentro da Renamo, Afonso Dhlakama é um moderado. Há muitos dentro da Renamo que estão ansiosos em pegar em armas. Dhlakama é que tem evitado este caminho. Se Dhlakama morrer, quem é que vai assumir o poder? O filho de André Matsangaissa, que se diz ter voltado do Quénia e parece ser um bom militar? Será Ivone Soares?

Polícia está no Jornal Zambeze para prender o Editor e o Chefe da Redacção

Um contingente policial fortemente armado está nas instalações do jornal Zambeze em Maputo, com alegadas ordens para prender o director do jornal, João Chamusse e seu adjunto. João Chamusse enviou-nos uma mensagem a informar que a polícia cercou a redacção do Zambeze e logo depois ficou incontactável. "Polícia à porta do Zambeze para prender João Chamusse e o chefe da Redacção" lê-se na mensagem que o director do Zambeze nos enviou do seu número pessoal. A esposa do director do zambeze também confirmou. Contamos trazer mais detalhes.


Fonte: Canal de Moçambique (facebook) – 14.06.2016

segunda-feira, junho 13, 2016

Moçambique assinala dia de combate à violência contra albinos

Data foi celebrada no país pela primeira vez, esta segunda feira (13.06.), com apelos ao fim da onda de raptos e assassinatos que têm visado os albinos.
As celebrações do Dia Mundial de Consciencialização do Albinismo decorreram sob o lema “comemorar a diversidade, proteger a inclusão dos direitos”.
A Presidente da Associação de proteção dos albinos “Amor à Vida”, Ihidina Mussagy, descreve uma situação crítica: "Continuamos aterrorizados, continuamos amedrontados, muita gente continua escondida em casa e a família com medo."
"A cada noite que chegamos a casa agradecemos, a cada dia que amanhecemos agradecemos”, sublinha.
O caso mais recente de violência contra este grupo é o de uma criança albina, de seis anos, raptada a 5 de junho. Foi encontrada no dia seguinte, esquartejada e sem partes dos seus órgãos, na província de Manica.

Albinos são raptados, assassinados ou dados como desaparecidos. Ler mais (Deutsche Welle – 13.06.2016)

Embaixador da UE em Maputo e PGR de Moçambique analisam dívida e criminalidade

O Embaixador da União Europeia em Moçambique, Sven Von Burgsdorff, e a Procuradora-Geral da República, Beatriz Buchili, discutiram nesta segunda-feira, 13, em Maputo, o problema da dívida pública moçambicana e a da onda de raptos que abalam sobretudo a capital moçambicana, como crimes violentos, e a corrupção.
O encontro acontece alguns dias depois de o Chefe da Missão da União Europeia ter sido recebido também em audiência pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, com quem abordou igualmente o mesmo tema.
“É indispensável dar o máximo grau de transparência para o público moçambicano e para a comunidade internacional para que a confiança seja restabelecida”, afirmou Sven von Burgsdorff no final do encontro, em que reiterou que o grupo de países que apoia o Orçamento de Estado está avaliar as consequências do processo, considerando que agora cabe ao Governo moçambicano apresentar medidas para restabelecer a confiança dos parceiros internacionais.
“Não se trata apenas de restaurar a confiança com os doadores, mas com a comunidade internacional e com os mercados financeiros”, acrescentou o diplomata,que reiterou que a União Europeia continua a apoiar o país em outras áreas de desenvolvimento.
Fonte: Voz da América – 13.06.2016

Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos quer justiça em Moçambique

O Alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, pediu, hoje, 13, ao governo de Moçambique para o fazer o seu melhor para levar os autores das execuções sumárias e promotores da violência à justiça.
Al Hussein, que discursava na abertura da 32ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Suíça, disse que “Moçambique mostra sinais de retorno à violência, após ter sido considerado história de sucesso em África”.
“A retomada do confronto armado entre a ala armada da Renamo e o exército nacional provocou o deslocamento de pessoas nas áreas afectadas,” disse Al Hussein.
Ele acrescentou que foram reportados naquele país casos de raptos, execuções sumárias, além de maus tratos aos defensores dos direitos humanos e jornalistas.
Além da acção contra os mentores da violência, Al Hussein pediu ao governo de Moçambique para “abordar a corrupção que tem impede que muitos gozem os seus direitos económicos e sociais”.

Fonte: Voz da América – 13.06.2016

Economist: Moçambique vai recuperar apoio dos doadores mas não de forma rápida

A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou hoje que o Governo de Moçambique vai "acabar por tomar medidas para recuperar o apoio dos doadores" e reformar as empresas deficitárias, mas uma mudança política rápida é improvável.
"Esperamos que o Governo acabe por tomar medidas para recuperar o apoio dos doadores e reforme as empresas públicas deficitárias, mas para um partido dominante que está relutante em permitir transparência orçamental e é ideologicamente oposto à privatização, uma mudança política rápida é improvável", escrevem os analistas da Economist.
De acordo com uma nota de análise com o título 'A austeridade morde', a que a Lusa teve acesso, os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist escrevem que "a transparência e a privatização são direcções políticas que não estão normalmente dentro da cabeça do partido no poder, e o Governo vai estar relutante em aceitar que Moçambique precisa de ajuda externa".